Construção debate impacto da industrialização na produtividade

Seminário promovido pelo CTE apresenta exemplos de sucesso a partir da modernização de processos

Fabiana Holtz

Aliado a organização e planejamento, o capital humano é parte fundamental para a produtividade da construção civil, de acordo com o professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Otto Nogami, que participou nesta quinta-feira (15), de seminário Industrialização & Gestão da produtividade na construção, promovido pelo Centro de Tecnologia de Edificações (CTE).

Dentro do contexto econômico, ao apresentar um link entre o lado micro e macro que envolve a produtividade, Nogami destacou quatro elementos básicos com impacto direto na capacidade produtiva de uma empresa. São eles: capacidade empresarial de gestão, capital físico, mão de obra e recursos naturais.

"A rotatividade da mão de obra eleva o custo da produtividade. Será que não seria o momento das empresas começarem a pensar em ter um quadro de funcionários mais estável?", questionou Nogami. Para o professor, o momento é de repensar a própria indústria, buscar novos processos. "O nosso problema é 'o modo de fazer'. Não seguimos processos". O empresário brasileiro, observou Nogami, é muito impulsivo e prefere apenas seguir o fluxo, sem qualquer planejamento. "Essa postura o deixa refém dos ciclos da economia".

Nesse contexto, Nogami acredita que a flexibilização da carga horária terá um impacto importante na produtividade. Os resultados serão sentidos, segundo ele, a partir da consequente melhora de processos, com impacto direto na renda do trabalhador. "Mas o governo precisa fazer a lição de casa. É preciso uma ação de conscientização dos trabalhadores e isso não apenas dentro das empresas, mas na sociedade. É um trabalho de longo prazo, que começa no ensino básico", concluiu.

Variabilidade
Com destaque para o fator 'variabilidade', o professor da Escola Politécnica da USP, Ubiraci Espinelli Lemes de Souza, considera que bons indicadores de produtividade são a combinação básica de organização, mecanização e pré-fabricação. "São muitos agentes que podem interferir em uma obra. Podemos registrar variação de produtividade em uma mesma obra, mas isso pode ser minimizado com medidas simples, com organização, planejamento e mecanização", destacou.

Espinelli chamou a atenção para a importância dos fornecedores como agentes facilitadores para a industrialização. Nesse sentido, o professor defende uma ação conjunta da cadeia para que a industrialização aconteça.

Para o sócio diretor da Tecnum, Jorge Batlouni Neto, não há como crescer sem envolver indicadores de produtividade. "Não há outro caminho". O caminho pode ser bem mais simples do que se imagina, afirma o executivo. "Sem grandes mudanças é possível avançar consideravelmente na organização do canteiro, com critérios muito simples que podem ser adotados. Podemos ser mais produtivos apenas com o raciocínio. Basta se dedicar um pouco mais ao projeto, com atenção aos detalhes", ponderou.

Com atenção especial ao capital humano, Batlouni afirmou que a Tecnum tem investido pesadamente na capacitação de seus funcionários - se preparando para o próximo ciclo de retomada da economia.

Gestão assertiva
No painel sobre práticas de gestão da produtividade, o gestor executivo da MRV Engenharia, Flávio Vidal Cambraia pontuou alguns números da companhia que claramente revelam o impacto da industrialização na produtividade. Entre 2007 e 2015 a produção de unidades da construtora saltou 767%, de 4.465 unidades/ano para 38.717/ano. O número de unidades por empreendimento cresceu de 63 unidades para 394 unidades no mesmo período. Nesse ritmo, o tempo de produção por unidade caiu 74%, passando de 8,6 dias por unidade para 2,2 dias por unidade. A adesão a tecnologia BIM (Building Information Modeling, na sigla em inglês), segundo ele, também tem um grande papel nessa evolução. "Já temos 8 obras rodando em BIM na parte de projetos. Eu diria que essa tecnologia não é o futuro, ele já chegou".

Entre as alavancas de produtividade, Cambraia ressaltou a mecanização de processos, o planejamento e controle da produção e a consequente redução da necessidade de mão de obra. Segundo ele, entre as principais práticas de gestão estão a padronização de processos de planejamento e controle de obras, padronização de ferramentas e documentação de apoio, replicação das melhores práticas e a intensificação dos treinamentos. "O grande diferencial de uma companhia é o seu time. Estamos investindo pesado em treinamento", afirmou.

Construção enxuta
Para o presidente da Novaes Engenharia, Marcos Vasconcelos Novaes, a adoção do Lean Constrution (Construção enxuta) foi fundamental para o sucesso da sua empresa. Com foco na classe média, a construtora do Ceará tem como meta um lançamento por ano e em seu quarto ano de vida já é líder em vendas no mercado local. "Com valorização do profissional e assertividade do produto conseguimos atingir essa aderência com o cliente", explicou o executivo.

Fiel a sua política de combate constate ao desperdício e de atendimento personalizado ao cliente, a Novaes tem garantida a entrega de um empreendimento por ano até 2023.


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